Projeto Eleições sem Fake do DCC/ICEx da UFMG se torna parceiro oficial do Programa de Enfrentamento à Desinformação do TSE

O projeto de pesquisa e extensão do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal de Minas Gerais (DCC/ICEx/UFMG), Eleições sem Fake, se tornou oficialmente parceiro do Programa de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Também fazem parte da lista de parceiros 70 entidades, como a Sociedade Brasileira de Computação (SBC), o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Conselho Gestor da Internet (CGI), o Ministério Público Federal (MPF), partidos políticos, agências de checagem de fatos, Google, Facebook, dentre outros.

Criado em 2018, o projeto do DCC desenvolve soluções para trazer transparência para o espaço midiático, principalmente no ambiente on-line, dentre elas o Monitor de WhatsApp e o Monitor de Telegram, este último em fase final de construção e com previsão de disponibilidade até o final deste ano. O WhatsApp, que foi criado em 2008, é um aplicativo de mensagens instantâneas e chamadas de voz, além do envio de texto, vídeos e  documentos que tem extrema popularidade no Brasil. Já o Telegram, criado em 2013, também um serviço de mensagens instantâneas, permite fazer chamadas de vídeo, enviar mensagens, fotos, vídeos, autocolantes e arquivos de qualquer tipo, tendo grande popularidade no mundo.

Tais aplicativos têm sido usados, nas últimas eleições do Brasil e do mundo e mesmo em outros períodos, para “bombardeios” de fake news, disseminando desinformação e ataques a autoridades e instituições públicas, assim como artistas e até desconhecidos que, de alguma forma, se tornaram alvos. Tais fatos têm gerado apreensões por parte do TSE e, também, pelo Superior Tribunal de Justiça (STF). “Uma opção do WhatsApp que merece atenção é que os usuários podem criar grupos públicos. Esses grupos são adequados para ativismo político e organização de movimentos sociais. É razoável supor que uma campanha de desinformação maliciosa pode tentar maximizar o público-alvo de uma história falsa, compartilhando-a em grupos públicos existentes no Whatsapp. Desenvolvemos scripts automatizados para identificar grupos públicos no Whatsapp e identificamos 350 grupos que estão sendo monitorados há meses. Criamos um sistema e demos acesso a esses dados a jornalistas que realizam checagem de fatos. Esse projeto nos credenciou a ser um parceiro institucional do Comprova e, agora, do TSE”, contou o professor do DCC Fabrício Benevenuto de Souza, coordenador do projeto.

Já o Telegram, segundo o professor, é uma plataforma mais rica em recursos e menos sujeita a políticas de moderação e, por isso, o serviço tem sido cada vez mais explorado para fins políticos e ativistas. “Apesar do crescimento e aumento da popularidade do Telegram no Brasil, pouco se sabe sobre seu uso, em especial sobre sua exploração para divulgação de conteúdo político. Desenvolvemos uma ferramenta capaz de monitorar e explorar dados de grupos e canais públicos de cunho político. Contamos, atualmente, com mais de 120 chats monitorados, entre grupos e canais, até mesmo oficiais de autoridades políticas. 

De acordo com o TSE, o Programa vem de encontro à necessidade de enfrentar as fake news disseminadas por meio desses aplicativos e pelas redes sociais, o que é, nos dias de hoje, um desafio mundial. Sabe-se que a produção e difusão de informações falsas pode trazer riscos a bens e valores essenciais à sociedade – como a democracia –, além de afetar negativamente a credibilidade das instituições, pessoas e a capacidade dos eleitores de exercerem o direito de voto de forma consciente e informada.

Nos últimos dois anos, segundo a Justiça Eleitoral, a desinformação buscou atingir a imagem e a credibilidade do TSE, além de levantar dúvidas sobre o sistema eletrônico de votação. Para combater tais ataques, o presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, assinou a Portaria TSE nº 510/2021 e, assim, institucionalizou medidas já adotadas e tornou-as de caráter contínuo e permanente. Além disso, com o objetivo de fortalecer ainda mais o Programa, mais instituições públicas e privadas foram convidadas a participar dessa parceria.

O Programa, criado em 2019 após a campanha eleitoral de 2018, teve como objetivo preparar a instituição para prováveis ataques que ocorreriam nas eleições de 2020. Assim, por meio de parceria entre as instituições, promoveu-se o combate à desinformação, contrapondo notícias falsas com verdadeiras, devidamente apuradas e checadas com o auxílio da imprensa profissional. 

De acordo com Benevenuto, a participação do projeto do DCC no programa é de suma relevância, além de um reconhecimento ao trabalho rea NBlizado por toda a equipe envolvida. “Esperamos que o nosso grupo de pesquisa possa contribuir com soluções tecnológicas capazes de mitigar o problema da desinformação na prática. Essa parceria firmada junto ao TSE é extremamente importante, pois abre mais um caminho para que o conhecimento específico sobre esse tema que existe nas Universidades possa ser utilizado diretamente em benefício da sociedade”, concluiu.

A lista completa dos parceiros pode ser acessada na página Desinformação.


O tema também foi discutido pela mídia nacional e internacional. As matérias completas estão nos links abaixo:

New York Times

Podcast da Apublica

Site Desinformante