Ex-aluna do DCC ressalta a importância da contribuição de todos para a mudança de paradigmas na semana do Dia Internacional da Mulher

Luciana Maroun graduou-se em Ciência da Computação no Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (DCC/UFMG), em  2013 e, logo em seguida, entrou para o mestrado, se formando em  2016. Orientada e co-orientada pelas professoras Mirella Moura Moro e Jussara Marques de Almeida, respectivamente. “Me lembro que, durante o mestrado, ia desesperançosa a cada reunião com a professora Mirella, pois os resultados não estavam indo conforme o esperado. Ela conseguia me acalmar, mostrar uma perspectiva diferente e me ajudar a identificar os próximos passos. A professora Jussara também me passou ensinamentos valiosos sobre o que fazer ao me deparar com um novo impedimento. Muito além da orientação para a dissertação em si, foi uma orientação para a vida”, contou emocionada.

Após defender a dissertação, Luciana começou a trabalhar no Google como Engenheira de Software, onde está até os dias de hoje e atua em produtos para família e crianças. “Na empresa, por exemplo, participei do lançamento do Family Link, um aplicativo por meio do qual pais e responsáveis podem guiar suas crianças enquanto interagem com tecnologia a fim de desenvolverem hábitos digitais saudáveis”, disse.

Segundo Luciana, por estar em uma das melhores Universidades do país, era de se esperar que o curso de Ciência da Computação fosse desafiador, exigisse muita dedicação (“inúmeros TPs!”) e resiliência. “Os seis anos dentro do DCC foram muito significativos e transformadores para mim, dos quais saí com um arcabouço profissional robusto e uma pessoa completamente diferente. O curso provê uma formação sólida nos aspectos fundamentais de algoritmos, estruturas de dados, programação e resoluções de problemas, aplicáveis em quaisquer áreas de atuação. Esses conhecimentos são a base da minha carreira profissional e essenciais para o trabalho que faço hoje”, descreveu.

De acordo com Luciana, o ambiente da Computação é majoritariamente masculino e, por isso, pode ser desafiador. Apesar disso, percebia que os professores do DCC reconheciam o desempenho independente do gênero. “Em algumas disciplinas eu era a única mulher na sala. É bem provável que algumas pessoas acreditassem nos estereótipos que são relacionados às mulheres, de não serem competentes em exatas ou em computação. Apesar de certamente haver alguns desafios, não são impeditivos. Caso tivesse encontrado muitos empecilhos e desestímulos, não acredito que seria capaz de me graduar com destaque acadêmico. Somente consegui passar por essas ondas de descrença devido às amizades que construí: pessoas com quem pude contar, que me colocavam para cima e acreditavam em mim. Essas amizades, algumas trouxe para a vida toda, foram essenciais para que o caminho fosse mais leve e passássemos pelas dificuldades com o apoio uns dos outros. Foi no ICEx, por exemplo, que joguei totó pela primeira vez com outros amigos e amigas do curso e conheci um novo hobby, que me ajudava a descansar após horas a fio de aulas e estudos — o nosso “break pedagógico””, relatou.

Conforme Luciana, ainda há um longo caminho a ser percorrido na luta por uma comunidade acadêmica mais igualitária, justa e livre de preconceitos e, na semana do Dia Internacional das Mulheres, acredita ser a importante a contribuição de todos para a mudança de paradigmas. “Sou imensamente grata a cada pessoa que dedica seu tempo e energia a essa missão e também espero ter contribuído de alguma forma. Já havia excelentes professoras e ex-alunas na época em que iniciei os estudos que, certamente, abriram caminhos para muitas de nós que viemos depois e tornaram a nossa jornada menos sinuosa, apesar da persistência do grande desequilíbrio na proporção entre mulheres e homens. No mundo de hoje é inevitável que ao longo do percurso acadêmico e profissional alguém se surpreenda com a presença de mulheres na área. Mas gosto de ver pelo lado positivo: de que estou ajudando na desconstrução desses vieses. Quando entrei no curso, um dos veteranos me perguntou “Mas porque você escolheu logo Computação?”, como se o ambiente fosse inóspito para mim e estivesse desperdiçando o meu potencial ao escolher esse curso. Na época não tinha certeza se era a opção certa, mas hoje não resta dúvidas para mim — foi a melhor escolha que podia ter feito”, concluiu.

De acordo com a professora Mirella, Luciana sempre foi uma estudante excepcional, tanto na graduação quanto no mestrado. “Sua capacidade intelectual é realmente impressionante e, para completar, ela tem consciência social e sabe colocar seus talentos para o benefício comum”, ressaltou orgulhosa.

Já para a professora Jussara, a ex-aluna foi muito dedicada e proativa, além de ter feito um trabalho excelente e de qualidade. “A Luciana sempre trazia suas próprias ideias e sugestões para as discussões e, a todo o momento, buscava apoio na literatura. Foi muito fácil e prazeroso orientá-la, um privilégio para mim. Agradeço pela confiança de me escolher como uma das suas orientadoras”, disse emocionada.

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