“O meu sucesso é o sucesso dos meus alunos”, afirma professor do DCC/UFMG

Excelente aluno na área de Ciências Exatas (Matemática, Física e Química), desde o colégio, Luiz Filipe Menezes Vieira todo ano tirava 100 nestas matérias. Além disso, na adolescência, era fascinado pelos computadores. Assim, na época de fazer o vestibular, o pai o levou para fazer um teste vocacional, tendo como primeira opção no resultado a Ciência da Computação. Apesar da facilidade com a área na época da escola, Luiz Filipe passou por desafios enquanto estudante na graduação. “O maior desafio foi conseguir lidar com diversas disciplinas puxadas no curso, mas foi recompensador. O que sempre me incentivou foi saber que com dedicação conseguiria chegar aonde queria, me formar, estudar no exterior, me tornar um professor e pesquisador de ponta. Os hoje colegas professores sempre me inspiravam”, disse. 

Ex-aluno da graduação, mestrado e pós-doutorado no Departamento de Ciência da Computação (DCC) da UFMG, segundo Luiz Filipe, houve vários professores que o marcaram, o ensinaram e mostraram a importância da pesquisa. Ao mesmo tempo, enquanto cursava o doutorado, aprendeu a importância da persistência e de pensar de diversas formas para buscar soluções para problemas relevantes. Com toda esta inspiração, Luiz Filipe tornou-se professor com o objetivo de formar o futuro do país e fazer pesquisa científica. “O que sempre me motivou a ser professor é a possibilidade de formar o futuro da nação e fazer pesquisa científica. Além disso, poder me dedicar nos problemas que são importantes. A pesquisa é o principal desenvolvedor de qualquer sociedade, gerando conhecimento e melhorando o mundo. Ser professor te dá a possibilidade de mudar o mundo e moldar o futuro da humanidade. Professor é quem forma os recursos humanos, que é primordial para qualquer sociedade. Não existe profissão sem um professor para ensinar. Professor também é pesquisador científico, é quem faz as descobertas científicas e que gera conhecimento que irão mudar o mundo para melhor”, afirmou.

Hoje, Luiz Filipe é professor do DCC/UFMG e atua na área de Redes de Computadores, Redes sem fio e Internet. “Trabalho com tecnologias disruptivas que mudaram a humanidade e continuam a moldar o futuro. Atualmente coordeno o Bacharelado em Ciência da Computação, mostro para os alunos a importância de estudar, investir neles mesmos, dedicar ao curso e ter uma boa base. Sou super dedicado, comprometido, inteligente, disciplinado e criativo, além de divertido e com um bom coração. Sempre digo que o meu sucesso é o sucesso dos meus alunos. Fico feliz quando os vejo realizados, ganhando prêmios nacionais e internacionais, montando empresas e entrando para startups, se tornando professores no Brasil e no exterior, arrumando o emprego que sonhavam”, falou.

Apaixonado pelo DCC/UFMG e por tudo que rodeia o departamento, segundo o docente, o trabalho dos colegas professores e o profissionalismo da equipe técnica-administrativa é ímpar. “Minha vida está envolta ao departamento há muitos anos e amo estar aqui. Os meus colegas são referências em suas respectivas áreas de atuação e os funcionários são extremamente prestativos e altamente qualificados. Também tenho a alegria de trabalhar com o meu irmão gêmeo, o também professor do DCC/UFMG Marcos Augusto M. Vieira, que além de ser um gênio, sempre posso contar com a sua amizade e apoio. O ambiente do DCC/UFMG é diferenciado, a amizade com os professores, em especial do DCC-GALO, os ensinamentos e a formação que tive com meus colegas professores. Já ganhei quase todos os prêmios possíveis, como o prêmio CAPES de Teses (melhor tese de doutorado do país), e melhor dissertação de mestrado do SBRC, além de ser bolsista de produtividade do CNPq. Tenho muito orgulho de dizer que trabalhei com o professor Leonard Kleinrock, da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), um dos criadores da Internet e o meu diploma de doutorado foi assinado pelo Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia na época. Tudo graças não só ao meu trabalho, mas à base que tive enquanto estudante aqui. Mas, mesmo com tudo isso no currículo, o mais importante pra mim é ver o crescimento dos alunos e sua formação ao final”, afirmou. 

Casado com a melhor esposa do mundo, segundo o professor, a Jéssica Cristina,  Luiz Filipe ainda não tem filhos, mas pretende tê-los. Nas horas vagas, gosta de passar o tempo com a esposa, ver Netflix e acompanhar tudo do Galo, time do coração. Além disso, gosta de nadar, ler, ensinar, pesquisar e conversar com os colegas e amigos que tem desde a época da graduação no DCC/UFMG.

Segundo o irmão e também colega de profissão, Marcos Augusto, Luiz Filipe é exemplo de professor e pesquisador, além de ser um irmão excepcional. “Tenho muito orgulho do meu irmão, ele é PHD nos Estados Unidos, pesquisador nível 1 do CNPq e índice-h maior que 30. Esses são apenas alguns atributos desse ser humano incrível que tenho a sorte de ter como irmão. Além disso, possui os melhores genes”, disse sorrindo.

Já o também professor do DCC/UFMG Fernando Quintão, conhece o Luiz Filipe desde o terceiro período de computação, quando entrou para a mesma turma que a sua após um intercâmbio. “Luiz Filipe sempre foi um dos melhores alunos da grade. Sempre muito aplicado e esforçado: encantava todos os professores. Depois nós acabamos indo fazer doutorado na mesma universidade, a UCLA. O Luiz foi trabalhar com o saudoso Mario Gerla, possivelmente um dos maiores nomes na área de redes de computadores. Mario nos deixou em 2019, mas seu legado é extraordinário. Sendo filho acadêmico de Gerla, Luiz vem de uma linhagem muito nobre em Ciência da Computação. Contudo, à parte de tudo isso, algo que nunca esquecerei é que foi Luiz quem pegou meu diploma de doutorado. Eu precisava do

diploma para fazer o concurso, mas ele é emitido bem depois que formamos. O Luiz pegou o documento, levou-o ao consulado para ser autenticado, e o enviou para mim lá dos Estados Unidos. Isso tudo deu muito trabalho para ele, e ele nem mesmo quis que eu pagasse as despesas de correio. Talvez ele nem se lembre disso mais, só que eu nunca esqueci a solicitude dele”, falou grato.

Durante o bate-papo com a comunicação do DCC/UFMG, o professor contou mais algumas coisas interessantes, veja abaixo:

Por que decidiu ir para a área de pesquisa e não para o mercado de trabalho?

A pesquisa é desafiadora. Estamos concorrendo com o mundo todo, as principais universidades do mundo, para ser o primeiro a fazer uma descoberta científica. Depois de resolver um problema, tem que se começar tudo de novo para outro problema, é uma busca incessante e estimulante. Sou bastante curioso e gosto de desafios intelectuais. O mercado de trabalho não satisfazia as necessidades intelectuais e não tinha a mesma liberdade de atuação.

O que o inspira em suas pesquisas?

Tento fazer o melhor sempre.

 Qual o maior objetivo das suas pesquisas?

Mudar o mundo para melhor, impactar a vida das pessoas e gerar novas tecnologias disruptivas como a Internet. Trabalho com Redes e redes sem fio, crio e melhoro protocolos, aplicações e modelos computacionais.

No geral, qual o impacto das suas pesquisas no dia a dia das pessoas?

A pesquisa é um trabalho de longo prazo, primeiro é necessário gerar o conhecimento, depois esse conhecimento pode ser aplicado na vida das pessoas no dia a dia, como foi a Internet. Todo mundo que usa a Internet usa vários protocolos, mas em geral não se sabe o tanto de coisa que usam e que está por trás do que estão usando, desde protocolos como IP, DNS, HTTP, etc, até mecanismos de segurança baseados em criptografia ou, até mesmo, novas aplicações, como redes de sensores aquáticas, Internet das coisas, redes veiculares, 6G.

Qual o maior desafio (ou quais os maiores desafios) que encontra para realizar as pesquisas?

Existem diversos desafios, o primeiro é necessário um tema de pesquisa relevante, encontrar o problema de pesquisa certo. Um problema de pesquisa relevante é o primeiro passo para realizar uma pesquisa de ponta. Segundo, ser capaz de descobrir como resolver o problema, solucioná-lo, compreendendo e dominando o estado da arte e sendo criativo e perspicaz para avançá-lo. Terceiro, ter os recursos para realizar a pesquisa, tanto recursos humanos, gente capacitada, quanto os recursos financeiros para compra e manutenção de equipamentos, pagamento dos bolsistas, viagens a congressos, etc. Infelizmente, no Brasil, não há a cultura de valorização do professor e do pesquisador científico, que precisa mendigar por recursos para sua pesquisa, e também lidar com a burocracia do Estado.

O que, em sua opinião, não pode faltar em um pesquisador? Por que?

Dedicação. O primeiro passo é ter vontade de querer fazer aquilo e se dedicar.

Como vê os alunos do DCC/UFMG?

Os alunos do DCC são altamente qualificados e serão o futuro do Brasil. Eles são recursos humanos altamente capazes, que com foco e aprendizado, alcançarão o sucesso. Eu fui aluno do DCC e aprendi que aqui  se segue o “Princípio da Excelência”. Tudo que fazemos, fazemos com excelência, em todos os pilares da universidade: Pesquisa, Ensino, Extensão e Administração. Tentamos dar aos alunos o melhor ambiente possível para sua formação, mas eles têm que fazer a parte deles e estudar.

O que não pode faltar em um aluno do DCC/UFMG? Seja aquele que deseja ingressar na pesquisa ou no mercado de trabalho.

Não pode faltar em um aluno do DCC vontade de aprender e dedicação aos estudos. Tanto no mercado de trabalho quanto na pesquisa tem que estar sempre aprendendo coisas novas. Na Computação a tecnologia muda muito rápido. Tem que aprender os princípios e não ferramentas, que irá dominar qualquer ferramenta que surgir.

O que representa o DCC/UFMG, como estudante e profissionalmente e, até mesmo, no campo pessoal?

Me formei no DCC na graduação e no mestrado e o doutorado fiz na UCLA. O DCC representa onde me formei e também onde atuo profissionalmente. É um centro de excelência que forma excepcionais profissionais. Além disso, possui os melhores cursos de graduação e pós-graduação do país em Ciência da Computação, com um excelente corpo docente e técnico (secretaria e funcionários), gera pesquisa de ponta, avançando a fronteira do conhecimento.

Como você define o DCC?

O DCC é um departamento exemplo para a UFMG e para todas as Universidades do país. É um departamento focado no “Princípio da Excelência” e que tem visão do que é importante na Educação e na Pesquisa. Trilhou o caminho para contratar os melhores professores, os melhores funcionários e técnicos-administrativos, e se tornar e manter entre os melhores cursos de graduação e pós-graduação do país em Ciência da Computação.

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