Emoção, gratidão, luta e ensinamentos fizeram parte do doutorado de ex-aluno do DCC/UFMG

Caminho longo, tortuoso e cheio de farpas, mas também divertido, emocionante e recompensador. Esta foi a estrada percorrida pelo ex-aluno do doutorado do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (DCC/UFMG), David Menotti Gomes. Atualmente professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o ex-estudante foi professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e lá ajudou a criar o programa de mestrado. Formado em Engenharia de Computação, pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), onde também cursou o mestrado, David sempre quis estudar na UFMG e realizou o sonho por meio do doutorado, iniciado em 2004. Ao mesmo tempo, por meio do doutorado sanduíche, frequentou a Université Paris-Est Marne-la-Vallée, de 2006 a 2007.

Sempre muito focado, estudioso e organizado, David chamou e ainda chama a atenção dos professores do DCC, mesmo antes de iniciar o doutorado. De acordo com o professor Arnaldo de Albuquerque Araujo, o ex-aluno veio para o Departamento por indicação de seu orientador de mestrado na PUCPR, o professor Jacques Facon. “Tive a oportunidade de participar da banca de defesa de mestrado do David e, em seguida, ele se inscreveu para a seleção do PPGCC. O David integrou-se muito bem ao Núcleo de Processamento Digital de Imagens (NPDI), foi um estudante muito organizado, inteligente e de bom trato. Realizou seu doutorado no modelo de duplo diploma, através do nosso Projeto CAPES/COFECUB de cooperação internacional com a ESIEE Paris e a Université de Marne-la-Vallée, na França. Em sua tese, o David desenvolveu algoritmos para melhorar o contraste visual de imagens digitais, com preservação de brilho, baseados em histogramas múltiplos, gerando imagens com aparência natural. Seu trabalho de doutorado foi publicado em várias conferências e periódicos importantes da área, um de seus artigos está na lista dos mais citados do NPDI, com mais de 340 citações no Scholar Google. David iniciou a carreira acadêmica na UFOP, durante os dez anos em que lá ficou interagiu intensamente com o NPDI, onde participou de projetos de pesquisa e orientou alunos de IC e mestrado do Laboratório. Integrou-se muito bem à comunidade de computação gráfica e processamento de imagens da SBC (CEGRAPI), tendo organizado o SIBGRAPI 2012, Conference on Graphics, Patterns and Images, e sido um dos Program Chairs da edição de 2021”, contou entusiasmado.

O engajamento, competência e dedicação à pesquisa, além do encantamento pelo DCC/UFMG, tornaram David parceiro do Departamento até os dias de hoje. “Saí do DCC, mas não quebrei os laços, pelo contrário, fiz e faço parcerias com vários pesquisadores desde a época que estive na UFOP. Agora, na UFPR, ainda mantenho e quero manter essa parceria, que sempre me traz alegria e pesquisas sensacionais”, afirmou. Para o ex-aluno, o DCC/UFMG é diferenciado. “É fora do comum o profissionalismo existente no Departamento, a ênfase na pesquisa, o trabalho e comprometimento de todos para que dê certo, quando é necessário, todos trabalham juntos se apoiando. É surreal. É a pesquisa que faz uma universidade e, no DCC, a pesquisa é valorizada, todos trabalham em prol da pesquisa e da inovação para trazer o bem para todos”, relatou.

Segundo David, o Programa de Pós-graduação do DCC/UFMG é de excelência, tem um infraestrutura física e administrativa impecáveis, com um profissionalismo exemplar. “Para aqueles que querem entrar no DCC recomendo demais, inclusive, antes, procurem o potencial orientador para bater um papo e alinhar aquilo que deseja”, recomendou. 

David passou por algumas dificuldades durante o doutorado, também na defesa da tese e no período em que esteve na França. “Infelizmente perdi meu amado pai enquanto estava no doutorado, ele não pôde me ver “doutor”, mas acho que em algum lugar me abençoou e me deu forças. Foram muitos perrengues, mas consegui vencer. Deixaram marcas, mas também trouxeram crescimento. A experiência de estar fora do Brasil foi maravilhosa e, se puder, viva isso. No DCC tem professores que são fora do padrão, por exemplo, o professor Antonio Alfredo Ferreira Loureiro, eu gosto dele de graça, é uma pessoa que admiro muito, a forma de resolver os problemas, a competência, a parceria. Ele é admirável. Também devo muito ao professor Arnaldo, sem ele não teria conseguido fazer o doutorado na França”, disse emocionado.

Para David o maior diferencial do DCC/UFMG é a união do grupo. “Não vejo muito isso em outros lugares, mesmo tendo divergências e, às vezes, pensamentos diferentes quanto a alguma situação, a equipe se une em prol de um objetivo maior, que é a pesquisa e o próprio Departamento. Sinto muita falta do dia a dia nesse lugar tão especial pra mim”, concluiu.

Segundo o professor Loureiro, David Menotti foi seu aluno na disciplina de Projeto e Análise de Algoritmos, mas o contato com ele foi bem além desse curso. “Durante o doutorado do David  tive a oportunidade de interagir com ele por várias vezes em conversas de corredor ou na sala do café, onde um dos temas recorrentes era a vida acadêmica e a carreira de pesquisador. Claramente o David estava bastante atento a entender e conhecer esse caminho que ele desejava. Olhando por essa perspectiva, é evidente o papel de nós professores na trajetória e formação de alunos que serão responsáveis pela educação de novas gerações. Fico muito feliz em ver a trajetória acadêmica do David, tenho certeza de que ele passa os seus conhecimentos e experiências com o objetivo de formar da melhor forma possível seus alunos, dando continuidade a esse ciclo”, afirmou.

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