Amor pela computação e gratidão pela trajetória no doutorado do DCC incentivam a carreira vitoriosa de ex-aluna

Formada em 2006 no doutorado do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (DCC/UFMG), com a orientação do professor José Marcos Silva Nogueira, Lilian Noronha Nassif, 36, há época, uniu o estudo com a maternidade e conseguiu superar os desafios dos dois momentos com sucesso. “Foi um período maravilhoso, que apesar do aperto e do estresse, principalmente nos dois primeiros anos, trouxe exigências muito positivas. “A mesma paixão que tinha pela minha filha, tinha pela oportunidade de fazer o doutorado, me sentia privilegiada”, afirmou Lilian.

De acordo com Lilian, quando relembra a vida estudantil e profissional na época em que esteve no DCC constata que não teve muito apoio externo, mas que dentro do Departamento tudo era diferente e surpreendentemente inspirador. “Não faltou oportunidade na universidade e muito apoio por parte do professor José Marcos. Foi uma das pessoas que mais me ajudou na vida profissional e na área acadêmica, abriu as portas, mostrou como se faz, tenho muita gratidão. A lógica mestre e aprendiz realmente existe na gestão do conhecimento do Departamento. Adquirimos o saber fazendo, observando, aprendendo com quem já sabe fazer. A pesquisa precisa da prática, do entendimento e domínio do raciocínio técnico-científico para ter o resultado satisfatório”, contou.

Para a ex-aluna, cada área do conhecimento tem uma forma de trabalhar a pesquisa e na Ciência da Computação é necessário implementar e provar a ligação entre o raciocínio e os resultados. Durante os estudos, novamente auxiliada pelo professor José Marcos, Lilian teve a oportunidade de fazer o “doutorado sanduíche”, um programa de estudos no qual o estudante de pós realiza parte do trabalho em uma universidade no exterior. “Fui para o Canadá e foi uma oportunidade ímpar, todos que estão cursando uma pós deveriam fazer, é uma experiência maravilhosa para a vida e profissão. Conheci outra cultura, pesquisadores de outras partes do mundo, outras pesquisas e consegui enriquecer o que pesquisava. Estudava sobre grid, conhecido atualmente como nuvem. Era um campo de pesquisa que estava em sua fase inicial na época. Foi um momento de enorme aprendizado e acredito que alguma coisa que produzi pode ter contribuído para essa grande tecnologia”, ressaltou.

Segundo a ex-estudante, o DCC é uma força, com professores de alto gabarito, que conseguem promover a interface no mundo acadêmico e, por isso, conseguiu ficar alocada no Centro de Pesquisa Nacional do Canadá. “O professor José Marcos foi pessoalmente ao Canadá, conheceu o Centro de Pesquisa em que eu estava e o professor que me orientava lá. Também tive muito apoio do professor Antônio Alfredo Ferreira Loureiro: conversas, dicas e direcionamentos. Ficamos muito sozinhos durante o doutorado e o apoio desses mestres é fundamental”, falou.

De acordo com Lilian, o doutorado no DCC trouxe não só aprendizado acadêmico, mas também para a vida. Quando passou no doutorado já tinha vasta experiência no mercado de trabalho na área da computação e considerava que era detentora da “verdade” e do “saber”. “No começo, todas as ponderações que o professor José Marcos trazia eu me justificava. Ele era firme comigo, e tinha que ser assim mesmo, aprendi muito com os seus ensinamentos e, se não fosse assim, eu não teria crescido, amadurecido e entendido a crítica científica como algo positivo,” ressaltou.

Quando entrou no doutorado, a ex-aluna trabalhava em uma empresa que a permitiu se dedicar aos estudos, mas teria que permanecer na instituição pelo mesmo período após o término. “Eu tinha um compromisso com a empresa, e este lapso de tempo se tornou impeditivo para que eu me tornasse imediatamente uma professora em tempo integral”, contou. Embora sempre lecione em universidades, Lilian não se dedica exclusivamente ao magistério, o que lhe propiciou grande experiência. “Ter doutorado e trabalhar em empresa, onde a maioria não tem o título, pode se tornar mais um ônus do que um bônus. Ao mesmo tempo, tive diversas vantagens, como em concursos públicos. Também recebia questionamentos do porque não estar na área acadêmica. No Brasil o mercado é um pouco duro, uma questão cultural de que quem tem doutorado deve permanecer na universidade, o que não ocorre em empresas estrangeiras”, relatou.

Lilian publica regularmente artigos internacionais na área de computação forense. Viaja e apresenta trabalhos, o que permite manter o contato com pesquisadores e ter feedback científico. Também já coordenou trabalhos de pesquisa, extensão e curso de pós-graduação. Em 2018, foi coordenadora de projeto de Mestrado em Segurança Pública, que foi aprovado pela Capes quando trabalhava como professora na Universidade Estadual de Minas Gerais. “Me tornei uma pesquisadora em várias frentes. O DCC não me concedeu só um diploma, me capacitou de fato”, relatou.

Para a ex-aluna, houve uma diminuição significativa no número de mulheres nos cursos de graduação e pós-graduação na área da computação, ou mudança de área após algum tempo de formadas. “Há uma dificuldade para a mulher na área da computação, quando me formei na graduação 50% da turma eram mulheres. Muitas das minhas amigas, no decorrer dos anos, saíram da área e foram para assessorias, áreas administrativas e buscaram outros campos. Eu me mantenho firme há 32 anos, estou muito feliz, amo a área e recomendo que entrem neste mercado de trabalho e permaneçam”, contou.

Em 2007, houve o primeiro ano do Prêmio UFMG de Teses e a ex-estudante foi premiada com a melhor tese do Programa de Pós-graduação em Ciência da Computação. “Ser a primeira premiada do DCC/UFMG nesta cerimônia foi motivo de muita honra e orgulho”, comemorou.

Atualmente, Lilian é analista do Ministério Público de Minas Gerais e analisa as evidências digitais que são apreendidas, realiza quebra de senhas, criptografia, criptoanálise, trabalha com inteligência artificial e se orgulha muito de toda a trajetória dentro do DCC. “Sou muito feliz em meu trabalho, na pesquisa e na escolha pela computação. Me sinto realizada e tenho muita gratidão por tudo que vivi e aprendi com os professores que tanto me ajudaram e são parte da minha história de vida e da profissional que sou hoje”, concluiu.

De acordo com o professor José Marcos, Lilian foi uma aluna excepcional, dedicada, estudiosa, séria, muito ativa e perseverante. “Conheci a Lilian quando demos um curso no mestrado na Fundação João Pinheiro, em 1997. Após isto, ela foi para o doutorado no DCC, onde a orientei. Fazia tudo muito bem feito, foi ótima a nossa convivência, é uma pessoa excelente e tenho ótimas lembranças”, contou saudoso.

Saiba mais sobre a Lilian no LInkedin https://www.linkedin.com/in/lilian-nassif-13856829/

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