Professor do DCC/UFMG fala para a mídia sobre o metaverso no turismo

Em matéria publicada pelo jornal O Tempo, nesta terça-feira, 03, o professor Luiz Chaimowicz, do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais, discutiu sobre os avanços, realidade e limites atuais do metaverso na área do turismo. Segundo Chaimowicz, o metaverso está no começo e não é uma tecnologia definitiva. “Na pandemia, ele faria o maior sucesso, mas sem pandemia as pessoas estão desesperadas para sair de casa e interagir com pessoas reais”, enfatiza. No turismo, o professor da UFMG acredita que funcione apenas como ferramenta de marketing.

Leia abaixo a matéria completa:

Metaverso: saiba o que é e como está sendo utilizado no turismo

Empresas dos segmento aéreo e hoteleiro já testam as possibilidades e a interação no ambiente virtual

Por PAULO CAMPOS

No dia 26 de abril, a companhia aérea Qatar Airways comunicou que entrou no metaverso ao lançar o QVerse, experiência de realidade virtual (VR) que permite navegar pela área premium do Aeroporto Internacional de Hamad e pelo interior da cabine da aeronave. A “Sama” seria, segundo a Qatar, a primeira tripulação de cabine meta-humana do mundo.

Na mesma semana, outra companhia, a Emirates, anunciou o lançamento de NFTs e experiências no metaverso para seus clientes. A aérea dos Emirados Árabes também foi a primeira do mundo, há cinco anos, a oferecer tecnologia de VR no site e a lançar aplicativo de realidade virtual para os usuários terem experiências interativas no interior da cabine.

As duas companhias não são os únicos casos no segmento do turismo. Cada vez mais as empresas do setor, principalmente agências de viagens e redes hoteleiras, têm aderido às recentes tecnologias para oferecer aos clientes novas experiências e conquistar outros viajantes. Nesse sentido, o metaverso é a nova palavrinha mágica no universo das viagens.

Hotelaria

No último mês, dois grupos hoteleiros anunciaram a entrada no metaverso para testar a tecnologia. A rede holandesa tem espaço no The Sandbox para construir um hotel e planeja criar um lugar onde os avatares possam “trabalhar, dormir e brincar”. Ela espera, eventualmente, vender cerca de 2.000 NFTs, que virão com uma promessa de descontos e vantagens, como bebidas grátis, por exemplo, que o comprador poderá utilizar em propriedades da CitizenM do mundo real.

Já a asiática Millenium Hotels & Resorts, de Singapura, anunciou a abertura de um empreendimento na blockchain ethereum Decentraland, em que já estão Nike, Coca-Cola e Sotheby’s. A partir de 5 de maio, os usuários poderão “se hospedar” no MSocial com seus avatares para explorar a propriedade. Uma das ideais é redefinir a hospitalidade.

O que falam especialistas

Mas o que seria o metaverso? Para Fábio Costa, CEO da Casa Mais, agência que oferece experiências imersivas e interativas, o metaverso é um universo virtual onde as pessoas podem interagir entre si por meio de avatares digitais. “Lá dentro é possível efetuar atividades, como comprar em lojas, ir a shows e interagir com outras pessoas”, explica.

Na definição de Thiago Akira, da TecBuzz, outra empresa que oferece a experiência, o metaverso é um ambiente virtual simulado que recria o comportamento humano do mundo real. “Você pode ter emprego, estudar, construir, comprar coisas, interagir com outras pessoas por meio de avatares. Pode ser também o que é no real ou o que gostaria de ser”, afirma o consultor em marketing digital e teconologias emersivas.

A origem

O metaverso ganhou popularidade em abril deste ano, quando o dono do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou a mudança do nome da rede social para Meta. A primeira menção à tecnologia, no entanto, ocorreu em 2007, no livro “Second Life” (“Segunda Vida”, na tradução), de Michael Rymaszewski, lançado no Brasil pela Ediouro.

A primeira menção à tecnologia ocorreu em 1991 pelo escritor Neal Stephenson, no livro de ficção “Snow Cash” (Editora Aleph), no qual as pessoas tinham a possibilidade de “fugir” para um universo paralelo diferente de sua realidade atual. O protagonista do livro era entregador de pizza no mundo real, mas no ambiente virtual era um príncipe samurai.

O metaverso surgiu novamente em 2007 no livro “Second Life” (“Segunda Vida”, na tradução), de Michael Rymaszewski, lançado no Brasil pela Ediouro. “Second Life” vai além e permite à pessoa escolher sua aparência, personalidade, classe social, profissão, opção sexual etc. e se locomover por meio de um avatar no ambiente virtual e interagir com outros participantes. O livro virou jogo popular e teve auge no Brasil no final de 2006, mas flopou rapidamente em 2009 por uma série de problemas.

Para especialistas em tecnologia e inovação, o Second Life não prosperou porque não conseguiu se viabilizar como mercado e gerar relações econômicas reais. De lá para cá, as tecnologias para criação de um ambiente virtual evoluíram bastante, tanto em termos de equipamentos como de softwares, com avanço de plataformas online e mais segurança.

“Jogador Número 1”.

Em 2018, o cineasta Steven Spielberg, de sucessos como “Tubarão”, “ET”, “Indiana Jones” e “Jurrassic Park”, criou a melhor referência do que seria o metaverso, em “Jogador Número 1”.  Em 2045, o mundo está tão ruim que a maioria das pessoas prefere viver no ambiente virtual, tendo intervalos no mundo real apenas para dormir, comer e fazer necessidades.

Para o consultor de marketing digital, Thiago Akira, um único metaverso, como em “Jogador Número 1”, que reúna todos os habitantes do planeta, ainda não é possível. “Podemos chamar o metaverso no plural, de metaversos, porque são muitos. Cada empresa está criando seu próprio metaverso”, afirma.

Também nem tudo o que envolve realidade virtual é metaverso – uma pessoa que usa óculos 3D não necessariamente está no metaverso. O metaverso seria, para o diretor da TecBuzz, a próxima fronteira, ou o futuro, da internet, uma tecnologia com potencial de crescer ou de flopar rápido. “Isso só o tempo poderá dizer”, afirma.

Mercado de capitais

A evolução e a popularização do metaverso já são acompanhadas de perto pelo mercado de capitais. Não apenas por Mark Zuckerberg, que enxerga nossas possibilidades de negócios, mas pelos fundos de índices que proliferam e investem em criptomoedas. Tecnologias de blockchain se tornaram a base, a evolução do metaverso, em um ambiente descentralizado.

“O metaverso ganhou uma nova escala com a entrada da blockhain”, destaca Akira. Hoje, as blockchains ethereum Decentraland (“Ilha Descentralizada”) e The Sandbox (“Caixa de Areia”) permitem adicionar uma carteira de ativos. Para Fábio Costa, da Casa Mais, o metaverso vem junto com a web 3.0. “É algo embrionário, mas vai dar um boom quando tivermos hardwares e headsets acessíveis e com a efetivação da tecnologia 5G”, salienta.

Thiago concorda com Costa. Uma web 3.0 mais descentralizada, aberta, com maior participação do usuário e menor poder das grandes corporações, criaria as condições de o metaverso se desenvolver por completo. As blockchains permitiram a criação de um ativo, o NFT, um token não tangível que representa a propriedade de um imóvel virtual.

No turismo

Para Thiago Akira, o metaverso no turismo pode ser aplicado de várias maneiras, como, por exemplo, promover uma conexão entre os mundos real e virtual. “Eu posso trocar uma hospedagem no mundo virtual por um valor e utilizá-la no mundo real”, exemplifica. E vai além: uma pessoa poderá até mesmo conseguir um emprego com ganhos no mundo virtual.

“O turismo no metaverso não vai substituir o turismo real. Ninguém vai deixar de ter uma experiência de verdade”, vaticina Akira. Mas permitirá, segundo ele, que você vivencie destinos no conforto de sua casa. Que viaje para Dubai, à Muralha da China ou às pirâmides do Egito. Ou ainda que empreenda uma viagem a Marte por uma agência virtual.

Essa é a mesma opinião do professor do departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Luiz Chaimowicz. Para ele, uma pessoa não troca uma praia real por uma virtual, de ter sensação de pisar na areia, de sentir a brisa do vento no rosto.

“Não estamos preparados para o metaverso, é cedo ainda. Ele depende da evolução da tecnologia e de uma mudança de comportamento da sociedade”, acredita Chaimowicz. Também, lembra ele, é necessário um investimento em equipamentos de realidade virtual e nem tudo está totalmente disponível no mercado.

Chaimowicz chama a atenção para o metaverso estar no começo e não ser uma tecnologia definitiva. “Na pandemia, ele faria o maior sucesso, mas sem pandemia as pessoas estão desesperadas para sair de casa e interagir com pessoas reais”, enfatiza. No turismo, o professor da UFMG acredita que funcione apenas como ferramenta de marketing.

Serviço

Tira dúvidas

Como entrar no metaverso

Acesse Roblox (roblox.com) pelo celular ou computador, crie uma conta e clique no botão “jogar”. Na Horizon (da Meta), precisa ter conta do Facebook e óculos de realidade virtual. No Decentraland e The Sandbox, é necessário criar uma carteira de criptoativos – a maioria usa a MetaMask.

O que são NFTs

É um token não-fungível, ou seja, que se mistura. Uma nota de R$ 50 pode ser trocada por outra de mesmo valor no mundo real. No mundo virtual, não! Não é fungível, ela é única, não tem outro valor igual. Quando um usuário adquire um NFT, ele se torna um proprietário único.

Blockchains que já utilizam criptomoedas

Decentraland (Mana), The Sandbox (Sand), Axie Infinity (Eaxs) e Enji Coin (Enj).

Quem já está investindo no metaverso

Microsoft, Facebook, Nike, Coca-Cola, Sotheby’s, fundos de investimento, Banco do Brasil etc.

Como investir no metaverso

Comprando terrenos e tokens não-fundíveis; investindo em ações das empresas ou fundos de investimentos; comprando as criptomoedas associadas ao metaverso (mana, sand, enj, eaxs) etc.

Quantas pessoas já usam o metaverso

Segundo a Kantar Ibope Media, 4,9 milhões de brasileiros já acessam a tecnolog

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