Ex-aluno do DCC alia trajetória profissional à criação de jogos de tabuleiro

Alison Carmo Arantes estudou Ciência da Computação no Departamento de Ciência da Computação (DCC) da UFMG entre 2003 e 2006. Mais de duas décadas depois, sua relação com o Departamento permanece no trabalho e também aparece em um projeto desenvolvido fora do ambiente acadêmico: a criação de jogos de tabuleiro. Atualmente gerente de redes do Centro de Recursos Computacionais (CRC), Alison desenvolveu quatro jogos autorais e acaba de lançar o primeiro deles, o Catnaipe.

A passagem pelo DCC teve um papel importante na trajetória profissional de Alison. Durante a graduação, ele estagiou no CRC, experiência que posteriormente o levou a ser contratado no próprio setor. “Além da parte acadêmica, ter a oportunidade de estagiar no CRC e posteriormente trabalhar no mesmo lugar por vários anos foi uma das principais contribuições do Departamento para a minha carreira. Hoje, continuo atuando no CRC, com atividades relacionadas à infraestrutura de redes e também ao PoP-MG”, disse.

A experiência iniciada como estudante acabou se tornando uma relação de muitos anos com o Departamento. “O DCC esteve e está presente na maior parte da minha vida, uma vez que trabalho lá já faz uns bons longos anos”, conta. Para Alison, a formação e as oportunidades profissionais proporcionadas nesse período foram determinantes para o caminho que seguiu. “Definitivamente não estaria onde estou hoje sem ter passado pelo DCC, talvez estivesse dando aulas de Matemática”, afirma.

A formação em Computação também encontrou espaço em uma atividade que Alison desenvolve por interesse pessoal. Sua relação com os jogos de tabuleiro modernos começou por volta de 2008, quando passou a colecionar e jogar com frequência. O contato com diferentes sistemas e mecânicas despertou a vontade de criar seus próprios jogos. Em 2024, ao se dedicar mais aos jogos de cartas, decidiu começar a transformar essas ideias em protótipos.

O processo de criação tem bastante relação com a maneira de pensar desenvolvida na Computação. “O raciocínio analítico, a familiaridade com estruturas lógicas, árvores de decisão e o hábito de modelar estados de um sistema facilitam tanto o desenho de regras quanto o balanceamento das probabilidades”, explica. Para Alison, os jogos também funcionam como sistemas em que diferentes elementos precisam interagir de forma coerente.

Ele costuma começar pela mecânica. A partir de uma ideia inicial, faz simulações mentais, monta um protótipo simples com papel, caneta e peças reaproveitadas de outros jogos e começa a testar. Quando a estrutura funciona, leva o projeto para outras pessoas, observa as partidas e faz os ajustes necessários. O tema e a parte visual vêm depois, como elementos que ajudam a sustentar a mecânica principal.

Foi assim que surgiu o Catnaipe, seu primeiro jogo publicado. A ideia nasceu de forma pouco planejada, durante o desenvolvimento de outro projeto. Alison trabalhava em um jogo para jogar sozinho quando, certa noite, sonhou com uma versão para dois participantes. Ao acordar, anotou as regras que havia imaginado, montou um protótipo e começou a testar. A proposta evoluiu até se transformar em um jogo de cartas para dois jogadores, com partidas rápidas e espaço para decisões estratégicas e viradas.

No jogo, os participantes disputam a posição de um gato sobre um telhado, construído e modificado com as próprias cartas durante a partida. A dinâmica foi testada com diferentes jogadores antes de chegar à publicação, e o retorno recebido ajudou a ajustar o equilíbrio das regras. O Catnaipe é o primeiro dos quatro jogos autorais desenvolvidos por Alison a chegar ao mercado editorial.

A criação dos jogos não substitui sua atuação profissional no DCC, mas acrescenta uma nova aplicação para habilidades que fazem parte de sua formação. O interesse por sistemas, regras, possibilidades e resolução de problemas aparece tanto no trabalho com redes quanto no desenvolvimento dos jogos, ainda que em contextos bastante diferentes.

A trajetória no DCC também teve seus períodos mais difíceis. Alison lembra de uma crise no CRC que afetou os serviços oferecidos aos usuários do Departamento, em um momento marcado simultaneamente por problemas de infraestrutura e falta de pessoal. A situação acabou o levando a um afastamento temporário. Depois do retorno, ele e a equipe conseguiram reorganizar o trabalho e contornar os problemas.

Ao falar sobre sua experiência no Departamento, Alison destaca a importância de aproveitar a formação recebida. “Apesar de todas as facilidades de hoje em dia, o DCC, através de seus diversos cursos, oferece uma base teórica muito sólida e firme. Assim, para quem estiver por lá, absorva o máximo de conhecimento possível porque ele não se perde”, recomenda.

Hoje, entre a rotina no CRC e o desenvolvimento de seus jogos, Alison continua ligado ao DCC de diferentes maneiras. A graduação que começou em 2003 não ficou restrita ao período como estudante, mas abriu caminho para sua carreira e também deixou ferramentas que ele leva para projetos desenvolvidos por interesse pessoal, como a criação de jogos.

Alison doou um exemplar do Catnaipe para um sorteio entre os seguidores do Instagram do DCC. As informações sobre a participação serão divulgadas em breve nas redes sociais do Departamento.

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