Rede de universidades de países do BRICS foi criada para desenvolver cooperação bilateral e multilateral; UFMG contribui nas áreas de economia, computação e saneamento

Os programas de pós-graduação em Economia, Ciência da Computação e Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG foram selecionados para integrar a Universidade em Rede do BRICS (grupo de países emergentes que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). A UFMG é a instituição brasileira com maior número de programas de pós-graduação selecionados para integrar a iniciativa, formada por 12 propostas aprovadas pelo Ministério da Educação.

Todas foram apresentadas por programas de pós-graduação de excelência – notas 6 ou 7 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O resultado da seleção foi divulgado em março. A seleção contemplava seis grandes áreas: Ciência da Computação e Segurança da Informação, Ecologia e Mudanças Climáticas, Economia, Energia, Estudos dos BRICS e Recursos Hídricos e Tratamento da Poluição. A Universidade em Rede do BRICS foi estruturada para favorecer o desenvolvimento de programas bilaterais e multilaterais de ensino e pesquisa, a formação conjunta de mestres e doutores e o intercâmbio de discentes, docentes e pesquisadores.

Desde a primeira reunião de ministros da Educação do BRICS, em novembro de 2013, a intenção era criar uma rede de cooperação universitária com temas relacionados às necessidades dos países-membros do bloco. Em março de 2015, foi estabelecido um grupo para negociar os princípios e objetivos da rede, e cada integrante criou o seu Comitê Coordenador Nacional (CCN). Na terceira reunião ministerial, em novembro de 2015, os representantes dos cinco países assinaram o memorando de entendimento que formalizou o estabelecimento da rede.

Ciberfísicos

Foca Lisboa
Chaimowicz: dispositivos de coleta de dados
Chaimowicz: dispositivos de coleta de dados

Sob a coordenação do professor do Departamento de Ciência da Computação (DCC) da UFMG Luiz Chaimowicz, o projeto Cyber-physical systems for massively connected society explora os sistemas ciberfísicos, que são aqueles capazes de integrar hardware e software de forma ubíqua e abrangente.

“Hoje em dia, temos diversos dispositivos que coletam, enviam e processam dados. O hardware está intrinsecamente conectado ao software. O advento da Web e das redes sociais também trouxe a necessidade de aprendermos a lidar com grandes volumes de dados. Daí a importância de um projeto que trate desse assunto”, diz.

O projeto do Programa de Pós-graduação em Ciência da Computação pretende estudar diversas questões relacionadas à atuação de dispositivos que coletam e filtram informações relevantes em meio a dados massivos. A iniciativa envolve várias áreas da ciência da computação, como redes de computadores e de sensores (que captam os dados) e gerenciamento, análise e tratamento da informação, além do campo da robótica, que promove a atuação inteligente no ambiente.

Chaimowicz destaca que a escolha pelo tema relacionado aos sistemas ciberfísicos é importante porque acompanha as mudanças do mundo moderno. “Antes, para um programa rodar, era necessário ter um computador. Hoje, os dados podem ser coletados e processados em relógios, tablets, celulares e outros dispositivos. Essa integração dos sistemas é algo forte na nossa sociedade”.

No caso da Ciência da Computação, o professor destaca que as parcerias com os outros países integrantes da rede visam à criação de cursos em conjunto e a mobilidade de alunos e professores. “Para nossos estudantes, haverá mais oportunidades de intercâmbio e troca de conhecimentos. Para a sociedade dos países que integram o BRICS, esse projeto é importante porque investiga problemas bastante atuais e relevantes, utilizando os sistemas de hardware e software que simplificam a vida das pessoas. Estamos analisando e moldando a computação do futuro”, conclui Chaimowicz.

 

Reportagem de Luana Macieira

Créditos imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Fotos Públicas

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