Mulheres formadas no DCC discutem participação feminina na Computação

Evento realizado na manhã da última sexta-feira (14) no Departamento de Ciência da Computação (DCC) da UFMG discutiu a participação das mulheres na área da Computação. A programação contou com a fala de profissionais formadas pelo DCC que atuam na academia e na indústria. Este evento faz parte das comemorações de 40 anos do DCC e homenageou mulheres de sucesso ligadas ao Departamento: Ângela Gontijo Assunção Pimenta, primeira professora contratada para o DCC; Lucília Camarão de Figueiredo, primeira aluna a defender tese de Doutorado, em 1997; e Miriam Lourenço Maia, primeira aluna a defender dissertação de Mestrado em 1976.

 

Abrindo a programação, a professora Mirella Moro, coordenadora do evento, destacou o que é considerado ‘sucesso’ para as mulheres que chegam aos cursos da área de Computação, considerando-se os estereótipos que são veiculados acerca de homens e mulheres em áreas voltadas para a tecnologia: “Sucesso, primeiro de tudo, é ter escolhido a Computação, uma área inovadora. Ter permanecido na Computação, terminar o curso é sucesso. Trazer mais meninas para a nossa área também é sinal de sucesso”.

 

O evento teve por objetivo celebrar a participação das mulheres na área. Mirella Moro destacou as primeiras mulheres formadas na UFMG na área de Tecnologia de Processamento de Dados, em 1975, antes mesmo da fundação do Departamento de Ciência da Computação: Cláudia Regina Soares Gomes, Maria Inez Fernandes Guedes, Maria Letícia Magalhães Gomes, Maria Tereza Roseti Dias, Marília Oliveira Andrade e Míriam Novaes Machado. Além disso, foi destacado o fato de as duas primeiras defesas de dissertações realizadas no curso de Mestrado em Ciência da Computação, na década de 1970, terem sido realizadas por mulheres: Edilazir Altina de Araújo Afonseca e Míriam Lourenço Maia, hoje professora aposentada do DCC.

 

O DCC possui um quadro de cinco professoras aposentadas pelo Departamento e atualmente oito professoras fazem parte do quadro docente. Mirella Moro avalia de forma negativa o baixo número de mulheres matriculadas nos cursos de tecnologia, atribuindo este deficit aos preconceitos e estereótipos que foram criados ao longo da história, arraigados a uma cultura machista. De acordo com a professora do DCC, fazendo uma leitura histórica da participação, ou do reconhecimento da participação, das mulheres na área, a ciência foi negada a elas durante séculos, uma vez que eram consideradas fracas e irracionais. Neste cenário, “Sucesso é ter chegado onde você sempre quis”, afirma Mirella.

 

Mirella Moro enfatiza que “Para garantir o futuro a gente tem que saber desses motivos históricos e mudar o presente”. Algumas atitudes estão sendo tomadas no meio acadêmico a fim de atrair mulheres para a área. Entre elas existem os projetos Meninas Digitais, coordenado pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC), meninas.comp, realizado na Universidade de Brasília (UnB), Emíli@s – Armação em Bits, pertencente à Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e Cunhantã Digital, realizado na Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

 

O evento contou ainda com dois painéis de discussão. O primeiro, intitulado ‘Mulheres do DCC’ contou com a mediação da professora Ana Paula Couto da Silva e com as falas de Míriam Lourenço Maia, professora aposentada do DCC e ex-diretora do ICEx, Maria Augusta Vieira Nelson, professora da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Monique Vaz Vieira, ex-integrante da Akwan e Engenheira de Software na Google, Fabiana Bigão Silva, diretora da Accretio, e Natércia Aguilar Batista, estudante do DCC e estagiária do Banco Mercantil do Brasil.

 

O segundo painel deu destaque ao ‘Momento indústria’. Para esta mesa foram convidadas três ex-alunas do DCC: Yolanda Vieira, Chefe de Produto da Samba Tech, Marisa Affonso Vasconcelos, membro da Equipe de Pesquisa da IBM e Karla Borges, Consultora de TI da Prodabel. O painel teve mediação da professora Raquel Minardi. A programação ainda contou com a participação de Carolina Bigonha, uma das fundadoras da startup Hekima que apresentou a empresa para a plateia. O empreendimento, fundada em 2008 por um grupo de estudantes formados pelo DCC, trabalha com consultoria tecnológica para projetos e produtos.