Conheça Bruno Pôssas, o homem que tem a fórmula do Google. Ex-aluno do DCC.

Reportagem de Filipe Serrano, da Revista EXAME

Conheça Bruno Pôssas, o homem que tem a fórmula do Google

A maioria das pessoas nunca parou para pen­sar como uma busca no Google com as palavras “João” e “pessoa” leva hoje a sites sobre a capital da Paraíba, e não mais a uma página qualquer contendo os dois termos. Se hoje o Google entende o significado dessa busca, muito se deve ao trabalho do cientista da computação Bruno Pôssas, um mineiro de 38 anos que sempre morou em Belo Horizonte.

Em 2005, Pôssas propôs em sua tese de doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) um sistema de busca que levasse em consideração a frequência com que duas ou mais palavras aparecem juntas. O modelo era inédito e gerava resultados até 30% melhores, um ganho muito acima da média.

Na época do doutorado, Pôssas começou a trabalhar no escritório de engenharia do Google em Belo Horizonte, e seu primeiro grande projeto foi justamente aplicar sua tese ao sistema de busca. Após 11 anos de trabalho, o mineiro tornou-se um dos engenheiros de soft­ware mais reconhecidos da empresa. Ganhou as principais premiações internas e foi promovido quatro vezes.

Hoje, ele é engenheiro-chefe e lidera uma equipe de 41 especialistas no Brasil. “Do ponto de vista da engenharia da computação, o time de Belo Horizonte é um dos mais qualificados do mundo.” Quem diz isso é o brasileiro Hugo Barra, ex-vice-presidente do Google, responsável pelo sistema Android, que atualmente está à frente da expansão global da fabricante de smart­phones chinesa Xiaomi. 

O Google é uma das empresas de internet que mais investem em pesquisa. No ano passado, foram aplicados 12,3 bilhões de dólares na área. Em reais, o valor é um pouco abaixo do faturamento anual da fabricante de bebidas Ambev, maior empresa brasileira em valor de mercado. Quase todo o gasto é com pessoal. Dos 61?800 funcionários, 23.300 são da área de pesquisa.

Eles trabalham em um dos 30 centros de desenvolvimento da empresa no mundo aprimorando produtos como os sistemas de busca e de anúncios, o site de vídeos YouTube e o correio eletrônico Gmail. Sem contar a sede, que fica na cidade de Mountain View, na Califórnia, apenas os escritórios de Nova York, Zurique, Tóquio e Belo Horizonte trabalham com o mecanismo de busca, o principal produto da empresa.

Entre esses quatro escritórios, o único que tem acesso irrestrito ao coração do sistema de busca é o comandado por Bruno. “Trabalhamos em todos os códigos que ordenam os resultados de busca no mundo inteiro. É como se mexêssemos na fórmula da Coca-Cola”, afirma Pôssas.

Avanços

A confiança nos brasileiros foi cons­truí­da com base em conquistas importantes. Três das dez principais mudanças já feitas na busca do Google foram realizadas por Pôssas e sua equipe. Uma delas foi considerada a segunda mais importante nos 17 anos da empresa, com impacto em 30% das atuais buscas no mundo.

A cada pesquisa, pelo menos um dos dez primeiros resultados só está lá por causa do trabalho de Pôssas. O brasileiro ainda faz parte de um comitê global de 20 engenheiros que decidem quais mudanças serão adotadas no buscador (são cerca de 200 por ano).

“Além de liderar a equipe, ele consegue pôr a mão na massa. Essa é uma característica muito valorizada”, diz Diego Nogueira, engenheiro de software que trabalhou oito anos no escritório. Nas últimas duas décadas, o talento de engenheiros locais e o grande merca­do consumidor brasileiro fizeram com que empresas do setor de tecnologia abrissem escritórios de pesquisa por aqui.