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Ciência, inovação e tecnologia
Atualizado: 7 horas 34 minutos atrás

Físico Sérgio Mascarenhas realiza viagem filosófica pela história da ciência

qui, 20/07/2017 - 08:00

Já nos primeiros instantes da conferência “De Leibniz à era digital do século XXI”, realizada, durante a  69ª Reunião Anual da SBPC, pelo físico Sérgio Mascarenhas, professor titular aposentado da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos, a plateia pôde observar séculos e séculos de pensamento científico numa única – e belíssima – imagem.

Ao apresentar o quadro Escola de Atenas (1511), pintado por Raphael de Sanzio – e guardado pelo Museu do Vaticano –, Mascarenhas iniciou sua fascinante viagem pelas teorias do conhecimento. A obra pictórica, afinal, é capaz de promover diálogos polissêmicos.

“Estava na Itália, onde trabalhei por 12 anos, e fiquei amigo de pessoas ligadas ao restauro desta obra-prima. Nela, estão 56 personagens importantíssimos. Trata-se de uma aula, iniciada no Renascimento italiano e dotada de comunicação altamente estruturada, a envolver simbolismo, arte e cultura”.

Ao centro da pintura, estão Sócrates (469 a.C.-399 a.C), Platão (469 28/427a.C.-348/347 a.C.) e Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.). “Seus gestos são representativos de princípios fundamentais da busca pelo conhecimento, como a metafísica e a matéria. Exatamente por isso, recorro, aqui, a esta imagem”, explicou o pesquisador, para, em seguida, recorrer à mitologia grega como forma de ampliar a visão de todos acerca dos propósitos da ciência.

“Os deuses mitológicos representam a consolidação da sabedoria humana prática. Divindade romana, Janus concentra, em si, as faces de homem e de mulher, que olham em direção ao passado e ao futuro”, destacou o professor, em referência à múltipla visão necessária ao desenvolvimento de teorias e métodos. “Lembro-me, contudo, de uma frase significativa, presente no e-mail de um amigo: ‘Seja o passado o meu mestre, mas não o meu senhor’”.

Começa a viagem

O caminho de Sérgio Mascarenhas pela história da ciência inicia-se com referências a Galileu Galilei (1564-1642), René Descartes (1596-1650) e Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) – cuja estrutura mental, na visão do pesquisador da USP-São Carlos, tornou-se balizadora de medidas e capacidades de transdisciplinaridade.

“Leibniz atuou como matemático, político, historiador, filósofo. De modo natural, criou uma série de conceitos, bastante complexos, como a definição de ‘mônada’ [átomo inextenso com atividade espiritual, componente básico de toda e qualquer realidade física ou anímica, e que apresenta as características de imaterialidade, indivisibilidade e eternidade]”, afirma, ao comentar, ainda, o gosto do filósofo alemão por estar sempre próximo ao poder. “Ele se aproximava das grandes figuras políticas, e, assim, viajou a diversos países. Atuava, enfim, como empreendedor do conhecimento”.

Ao citar Isaac Newton (1646-1716), Mascarenhas comentou que, assim como hoje, o grande pensador não estava claro, por exemplo, quanto às definições do (complexo) conceito de gravitação. “Ninguém sabe, afinal, como um pedaço de massa se propaga no universo após seu nascimento”, afirmou, ao comentar que, de tão incríveis, as teorias newtonianas, apesar de incompletas, acabaram aplicadas a tudo, da Biologia à Geologia, da Física à Química. “Newton tornou-se um padrão de pensamento. Era enorme sua força para resolução de problemas”.

Das teorias da ciência à tecnologia

Por meio das teorias de Thomas Kuhn (1922-1996) e Karl Popper (1902-1994), Sérgio Mascarenhas destacou a busca pela compreensão das próprias “entranhas” do fazer científico. Logo depois, comentou a “revolução do magnetismo” a partir das colaborações de Faraday (1791-1867) e James Clerk Maxwell (1831-1879).

De outro modo, Charles Darwin (1809-1882) e Ludwig Boltzmann (1844-1906) foram citados em função de suas investigações acerca da evolução e da complexidade: “Boltzmann mudou o pensamento referente ao conceito de tempo, que, para Newton, passava continuamente. Segundo o físico austríaco, a temporalidade não é irreversível”.

Na fantástica viagem de Mascarenhas pelo conhecimento, outras revoluções e quebras de paradigmas ficaram a cargo de Sigmund Freud (1856-1939), Bertrand Russell (1872-1970), Einstein (1879-1955) e K. Godel (1906-1978). Por sua vez, o casal Charles Babbage (1791-1871) e Ada Lovelace (1815-1852), filha de Lorde Byron, revelam pioneirismo numa série de teorias matemáticas.

Já a revolução da informática, que alterou significativamente as noções de sociabilidade do indivíduo na contemporaneidade, foi comentada segundo os feitos dos Bell Telephone Laboratories (Bell Labs), sediados nos EUA e responsáveis por tecnologias revolucionárias: comutadores telefônicos, cabos, transístores, LEDs, lasers, linguagem de programação C e sistema operativo Unix: “O trabalho de Bardeen, Brattain e Shocckley está ligado à revolução da comunicação digital no mundo”.

Ao fim de sua jornada científica, Mascarenhas cita Alan Turing (1912-1954), Claude Shannon (1916-2001), John von Neumann (1903-1957) e Stephen Wolfram (1959) – o famoso pesquisador londrino responsável pela teoria matemática que parece servir a inúmeros propósitos. “Wolfram diz que, para que se compreenda os fenômenos naturais, é preciso entender de computação”, ressaltou, ao resumir, em seguida, o pensamento do contemporâneo: “A natureza, segundo ele, é um computador darwiniano”.

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A ponte para o abismo universidade e mercado

qua, 19/07/2017 - 10:14

O Brasil encontra-se na zona intermediária mundial em relação à pesquisa e desenvolvimento científico. O país tupiniquim está ali, emparelhado com a Rússia, Índia e Holanda, à frente de países da América do Sul, como Argentina, Chile e Uruguai, no entanto bem atrás de nações desenvolvidas da Europa, Japão ou Estados Unidos, esse soberano absoluto no assunto – o número de publicações americana é maior do que de todo o continente Europeu somado e cerca do dobro do segundo colocado, a China.

 É interessante observar que mesmo quando se aumenta a média de artigos científicos produzidos no Brasil, ele acompanha o crescimento da média mundial, ficando praticamente sempre na mesma posição – hoje o País está em 13° lugar no mundo em artigos publicados. Diferente de países como a Coréia do Sul ou a própria China que subiram incrivelmente suas colocações nesse ranking do conhecimento

Sobre economia, somos a 9° do planeta e, sem dúvida nenhuma, o país mais forte economicamente da América Latina.  Mas, falando em inovação, percebe-se que o Brasil é ainda adolescente quando trata-se de levar esse conhecimento adquirido nas universidades para indústria. Há um enorme abismo em relação ao conhecimento acadêmico e  o mercado.

Com os avanços da tecnologia e a própria globalização, o mundo encontra-se em uma completa transformação e quem não buscar inovar, vai acabar se afogando nesse oceano turbulento dos dias atuais. Tanto que 77% das empresas da década de 70 não existem mais. O panorama mudou e quando antigamente as empresas reagiam às mudanças, hoje, necessitam antecipá-las. Não se trata de diferencial, e sim, sobrevivência! A inovação aparece como um processo de criação de dinheiro novo.

Hoje vivenciamos uma nova fase da Revolução Industrial, iniciada em 1992 com o “www”. A inovação, além do processo dessa criação e dinheiro novo, chega também para trazer o bem-estar da população. Não há como falar dessa inovação, virando as costas para a sociedade. Ela é inerente, principalmente, na área da saúde. Tanto que muitos dos Prêmios Nobel tratam-se de pesquisa e interação universidade empresa.

De volta ao Brasil, embora tenha um índice de publicações considerável, o conhecimento é pouco aproveitado no mercado.  Observa-se uma distância gritante entre as duas pontas (universidade/mercado). O próprio País se fecha, protegidos por Leis contra à inovação global. Somos de um lugar onde se exporta R$ 7 milhões de café e se importa aproximadamente R$ 35 milhões em cápsulas de café. Essas muito utilizadas em máquinas como Nespresso dentre outras. Assim como na colonização, praticamente continuamos exportando matéria prima, sem agregar valor ao nosso produto.

Ligação entre universidade e empresas

A alternativa que tem se apresentado para diminuir esse espaço universidade/mercado são as startups. Para quem não sabe, tratam-se de empresas com grande possibilidade de crescimento e escaláveis, ou seja, os custos não necessariamente acompanham sua expansão. A Walmart para expandir, precisa de espaço físicos, pessoal, produtos, dentre outros tipos de recursos. Já o WhatsApp, com uma operação que conecta mais de 1 bilhão de pessoas, continua com menos de 50 empregados.

Assim, as startups tendem a ser essa ponte que liga universidade e empresas. Tanto que muitas pesquisas acadêmicas têm se transformado em startups, para já começarem esse namoro com o mercado. E em Minas Gerais, há um movimento forte que apoia as startups. Aqui está situado o San Pedro Valley, uma associação de mais de 1000 startups, com a finalidade de fortalecer o ecossistema inovador.

 O próprio Governo de Minas, observando isso, tem apoiado o movimento com programas como o SEED – da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior ( SEDECTES) e da Fundação de Amparo à Pesquisa (FAPEMIG) –  que tem como finalidade ajudar o desenvolvimento de startups.  Ou mesmo com linhas de créditos especiais para a inovação oferecidas pelo Banco de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (BDMG).

Outras instituições como Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e empresas privadas, como o Banco BMG ou Grupo Algar estão investindo em programas relacionados à startups. Trata-se de uma tendência e não há mais como fingir que elas não possuem – e possuirão ainda mais – um papel relevante na economia mineira, essa em especial, ainda tão dependente da mineração e café. É a alternativa mais viável e a que mais sinaliza como solução a um futuro promissor para Minas e o Brasil.

 

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Falta de recursos desmoraliza inovação no Brasil

ter, 18/07/2017 - 15:31

“Projetos de desenvolvimento e inovação não podem parar por falta de dinheiro. Isso desmoraliza a perspectiva de trazer empresas”. A afirmação foi feita pelo presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), Jorge Almeida Guimarães, nesta terça-feira, 18, em conferência sobre a cooperação internacional e o impacto na ciência. A atividade integra a programação da 69ª Reunião Anual da SBPC, realizada até sábado, 22, no campus Pampulha da UFMG.

Durante a conferência, Jorge Almeida mostrou o “lado negativo da cooperação internacional” e apresentou números: 24 países respondem por 84% da produção científica mundial, a partir do número de artigos publicados. O Brasil está em 13º lugar em publicações. “Mas tem que olhar a qualidade”, ponderou o conferencista. Quando o parâmetro é a aplicação de recursos do Produto Interno Bruto na Ciência, o país está na 29ª posição – o percentual é de 1,2% do PIB brasileiro.  “Se tem uma correlação precisa, é entre investimento em Ciência e Tecnologia e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)”, destacou. Após a conferência, o presidente da Embrapii concedeu entrevista ao blog Minas Faz Ciência:

O presidente da Embrapii, Jorge Almeida Guimarães, em conferência na SBPC 2017. Foto: Pietro Sitchin/SBPC

MFC: De que cooperação internacional nós estamos falando, exatamente?

O intercâmbio é uma demonstração de que a cooperação funciona e acaba resultando em artigos. Mas nós temos cooperação também no setor industrial. É o que agora nós estamos fazendo com a Embrapii e a Finep [Financiadora de Estudos e Projetos] está começando a ver também que é vantagem fazer cooperação no setor industrial. Nós já temos algo com alguns países. Por exemplo, se uma empresa israelense, francesa, inglesa ou alemã fizer um acordo com uma empresa brasileira, esse projeto sendo desenvolvido numa unidade Embrapii, a gente financia. Esse é o modelo importante para uma cooperação, num patamar muito mais alto do que simplesmente intercâmbio de pesquisadores e produção de artigos.

MFC: O senhor destacou o lado negativo da cooperação internacional e falou de uma cooperação internacional desbalanceada. O senhor poderia explicar?

O que a gente demonstrou aqui é que para tirar proveito da cooperação internacional, que é óbvio que é uma coisa boa, um país precisa também estar preparado. Ele tem que ter feito o seu esforço interno, o que eu chamo de “dever de casa”. Preparar gente, ter grupos de pesquisas qualificados. Senão, o país não tem nada, manda dois estudantes, eles publicam lá com um pesquisador muito famoso e aquilo fica parecendo que é um esforço do país. Isso não adianta nada. Então, a cooperação é desbalanceada no sentido de que tem que ter um um certo nível, que não pode ser despareado demais entre o país que colabora, geralmente o país mais rico, mais desenvolvido, e o Brasil. Então, para isso, o país cooperante tem que fazer um esforço interno de qualificar grupos, de ter o mínimo de pesquisa reconhecida internacionalmente para valer a pena colaborar.

MFC: O que o Brasil precisa fazer, então?

Nós começamos muito tarde. Nossas universidades são muito novas, se comparadas com os países desenvolvidos. A Universidade de São Paulo, que foi constituída como universidade completa desde o começo, foi criada em 1934, 300 anos depois da Universidade de Harvard. Por conta disso, o Brasil teve que fazer um esforço para diminuir essa distância. Isso foi feito criando duas agências Federais, o CNPq e a Capes, depois a Finep. Os estados criaram suas fundações estaduais, em Minas se criou a FAPEMIG. E outros mecanismos foram somando os esforços para capacitar gente, capacitar grupos de pesquisa, enfim, fazer o dever de casa. Isso é o dever de casa. O Brasil fez bem isso.

MFC: O que seria uma cooperação internacional ideal?

A ideal é aquela bastante equilibrada, em que os dois países levam vantagem. O Brasil é muito atraente para a cooperação internacional. Nós temos uma enorme biodiversidade, uma comunidade bastante qualificada em quantidade e qualidade, e temas muito interessantes, tanto no setor de pesquisa básica, quanto na pesquisa aplicada. Outros países que eu considerei [na conferência] não fizeram isso, inclusive nossos vizinhos. Agora, pode ser que com essa crise, o Brasil perca alguns pesquisadores mais jovens. Até então, todo mundo ia e voltava, porque tinha perspectiva no país. Para tirar proveito da cooperação internacional, que é muito aberta. A maioria dos países desenvolvidos querem. 

MFC: O senhor disse que cooperação internacional foi bem conduzida quando começou no Brasil, 40 anos atrás. O que mudou?

Ela foi bem conduzida na escolha de bons parceiros. Por exemplo, a Alemanha, a Inglaterra. Os países têm muito interesse no Brasil. Interesse econômico, várias empresas aqui, então fica mais fácil essa cooperação. Mas se nós não fizermos o dever de casa, ela fica ‘aleijada’. Não temos condição de aproveitar bem a cooperação com os países mais desenvolvidos. Quase todos os cientistas da minha geração passaram um período no exterior. Agora, se a gente não tivesse preparado, não adiantava ir para lá. Fazer o que, quando você volta e não tem um infraestrutura?

MFC: Por que áreas de excelência no Brasil desaparecem num cenário de cooperação internacional?

Elas aparecem pouco, a nossa proporção é baixa. Comparada com os países da América Latina, é metade. Comparada com os países que têm muita cooperação, é equivalente a um terço. Mesmo nas áreas que nós temos mais pujança, a cooperação é baixa, ainda. Por falta de visão de governo. Os pesquisadores sabem que a cooperação é importante e eles buscam. Mas você tem que ter os financiadores, tem que dar suporte para isso.

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Começa 69ª Reunião Anual da SBPC; veja detalhes da abertura

seg, 17/07/2017 - 08:32

Começou nesse domingo a 69ª Reunião Anual da SBPC, que acontece na UFMG. O maior evento de divulgação científica da América Latina tem como tema “Inovação – Diversidade – Transformações”. São 240 atividades durante toda a semana, com a participação de pesquisadores renomados do Brasil e exterior, e gestores do sistema estadual e nacional de C&T.

Ângelo Machado, pesquisador e divulgador científico. Foto: Diogo Brito/Fapemig

Esta é a quinta vez que a UFMG recebe a reunião. Na solenidade de abertura, que ocorreu na noite de domingo, houve discursos e homenagens, além de apresentação do coral ARS da UFMG. Um dos homenageados da noite foi o prof. Ângelo Machado, pesquisador e divulgador científico. Ao ser agraciado, ele quebrou o protocolo e pediu a palavra. Agradeceu e brincou com a plateia: “Depois de 45 anos estudando libélulas, descobriu sua função: fazer do Ângelo Machado um velho feliz”.

Mario Neto Borges, presidente do CNPq, entregou ao jornalista Reinaldo José Lopes o prêmio José Reis de Divulgação Científica. Em sua fala, Mario Neto destacou a importância do prêmio e da divulgação científica para a valorização da ciência, tecnologia e inovação.

Helena Nader fez um discurso emocionado, relembrando sua trajetória de 10 anos na diretoria da SBPC. Ela lembrou que o último ano foi muito difícil para todos os brasileiros devido à crise política e a perda de valores éticos e morais. “Está sendo difícil para todos, mas em especial para a educação e a ciência”.

“Educação e ciência são investimento, e não despesa”, disse a diretora da SBPC. Foto: Diogo Brito/Fapemig

Segundo ela, é preciso continuar repetindo o mantra: “educação e ciência são investimento, e não despesa”. Uma de suas tristezas ao deixar o cargo é perceber que alguns ministérios ainda não se convenceram disso.

Jaime Arturo Ramirez, reitor da UFMG, destacou que receber a SBPC é um presente para a universidade, que comemora seus 90 anos. Ele também citou a crise pela qual passa o Brasil, convocando para a reflexão sobre que país almejamos para o futuro e qual herança queremos deixar para as gerações que irão nos suceder.

Programação intensa

Das atividades confirmadas nas programações científica, serão 70 conferências, 91 mesas-redondas, 55 minicursos, 13 sessões especiais, 4 assembleias, 3 reuniões de trabalho e 5 encontros, num total de mais de 240 atividades, com a participação de pesquisadores renomados do Brasil e exterior, e gestores do sistema estadual e nacional de CT&I.

Na manhã desta segunda-feira já tem muita coisa acontecendo no campus. Veja aqui a programação completa.

Fapemig e Minas Faz Ciência

A Fapemig está presente na 69ª Reunião Anual da SBPC com um estande de 64 metros quadrados divididos em quatro áreas temáticas, com exposições de projetos apoiados ou desenvolvidos pela Fundação: espaço institucional, SIMI e Trilha Mineira de Inovação, Rio Doce e Inova Minas formam um verdadeiro circuito científico, que estará disponível para ser explorado e descoberto durante a feira.

Estande da Fapemig será verdadeiro circuito científico na 69ª Reunião Anual da SBPC

No estande, além de apresentar os programas institucionais, a equipe vai registrar entrevistas e realizar cobertura jornalística para os veículos do projeto Minas Faz Ciência.

No site Minas Faz Ciência e nas redes sociais, você poderá conferir temas escolhidos carinhosamente pelos nossos jornalistas. Estamos selecionando assuntos interessantes da ciência para postagens diárias aqui e na versão infantil.

Vamos falar de divulgação científica, desafios da pós-graduação, avanços da ciência em diversas áreas do conhecimento, entre outras pautas. Para a criançada, vai ter papo sobre vulcões, energia nuclear, astronomia e muito mais!

Com informações de Luana Cruz.

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Heloísa Buarque de Holanda: um olhar sobre a universidade

sex, 14/07/2017 - 15:33

O currículo da professora da UFRJ Heloísa Buarque de Hollanda é extenso. Autora de diversos livros e à frente do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PAC), a pesquisadora fala na articulação e na coletivização do saber como futuro da universidade.

Dentro do PAC, Heloísa coordena o Laboratório de Tecnologias Sociais, que abriga o projeto Universidade das Quebradas. Nos últimos dez anos, o projeto promove troca de saberes entre pesquisadores e artistas, ativistas, produtores culturais e arte-educadores da periferia.

Parte da programação dos 90 anos da UFMG, a pesquisadora participou da 3ª Conferência do Seminário Pensar a Educação Pensar o Brasil: A Universidade e a Cidade.

Ondas da Ciência: Heloisa Buarque de Hollanda

Nesse Ondas da Ciência, Heloísa Buarque de Hollanda fala sobre a universidade brasileira. A pesquisadora conta sobre a vontade de que a universidade se deixe permear pela cultura da periferia. Fala sobre a coletivização do saber e discute a participação da mulher na produção acadêmica.

Conheça mais sobre o trabalho da pesquisadora no site www.heloisabuarquedehollanda.com.br.

Foto: Garapa/Coletivo Multimídia

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Clubes de Ciência estimulam práticas de pesquisa entre jovens

sex, 14/07/2017 - 09:28

Os Clubes de Ciência desembarcaram no Brasil – mais especificamente, no campus Pampulha da UFMG. Na próxima semana, 80 estudantes selecionados vão conhecer pesquisadores de renomadas instituições de pesquisa enquanto se engajam em atividades científicas.

Em paralelo às atividades da 69ª Reunião Anual da SBPC,  entre os dias 17 e 22 de julho, os Clubes vão promover uma variada programação de palestras, atividades em grupos temáticos e laboratórios.

Serão quatro oficinas gratuitas, organizadas por pesquisadores de Harvard, da Universidade de Northeastern e da Universidade Hosftra sobre temas como células-tronco, edição genômica, epidemiologia, empreendedorismo científico e inovação.

Os participantes são estudantes do ensino médio e dos primeiros anos de graduação. Foram mais de 900 inscritos, de seis Estados brasileiros.

Cada um dos quatro clubes recebe 20 alunos. Os grupos terão 40 horas para cumprir um desafio, supervisionados por cientistas e pesquisadores do Brasil e do exterior.

Como funcionam os Clubes de Ciência

Programação dos Clubes de Ciências no Brasil

Na abertura, marcada para segunda-feira, dia 17 de julho, às 9h, o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich falará sobre o tema “Um projeto de ciência para o Brasil”.

Na tarde do mesmo dia, a partir das 13h, o pesquisador Paulo Sérgio Lacerda Beirão (UFMGFAPEMIG) falará aos jovens sobre oportunidades de pesquisa no ensino médio e graduação.

A programação segue com debates e discussões sobre Divulgação Científica, Inovação Tecnológica e Fomento à Formação de Jovens Pesquisadores.

A iniciativa de trazer os Clubes para a UFMG foi do professor e pesquisador David Soeiro, que tem experiências na Escola de Saúde Pública de Harvard (Lemann Fellow) e na Organização Mundial da Saúde (OMS).

Confira os palestrantes:

Painel de Palestrantes

Mais informações:

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Evento discute impactos da ciência na sociedade

qui, 13/07/2017 - 09:26

Nos próximos dias, Belo Horizonte recebe o 5º Salão Nacional de Divulgação Científica, evento promovido pela Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG). Este ano, o tema do salão é “Impactos da ciência na sociedade“.

O objetivo do evento é promover a divulgação científica, a cultura nacional e a integração entre estudantes, professores, pesquisadores e comunidade. O Salão vai de 16 a 22 de julho, durante a 69ª Reunião Anual da SBPC. As atividades que serão realizadas durante o evento buscam aproximar a produção de conhecimento acadêmico da realidade social brasileira.

Impactos na sociedade

O tema central do 5º Salão visa contribuir para a análise do papel da ciência e suas contribuições para a transformação da sociedade nos seus mais diversos contextos. Na Academia, quando se fala em impacto, em geral refere-se às publicações científicas, o que reduz a dimensão do papel da ciência em impactar a vida das pessoas.

Ao propor um tema como esse, a ANPG pretende ouvir a comunidade científica e os órgãos governamentais sobre a possibilidade de colocar o impacto da ciência na sociedade no centro da pauta e fomentar uma ciência mais humana, com a relação entre a pesquisa e a realidade social, econômica e política.

Dentre as atividades previstas, estão:
  • Conferências temáticas;
  • Debates;
  • Mostra Científica do 5º Salão.

Saiba mais no site do evento: www.salaonacional.org.br.

Sobre a ANPG:

A Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG) é a entidade representativa dos pós-graduandos brasileiros. É a representação nacional de uma rede de Associações de Pós-Graduandos que estão espalhadas pelo território nacional.

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Livro fala sobre internacionalização na carreira

qua, 12/07/2017 - 12:15

A globalização traz novos desafios para a pesquisa e para o mercado de trabalho, e a internacionalização é cada vez mais buscada por estudantes, profissionais e empregadores. No livro Pelo mundo afora, lançado pela editora Novo Século, Semida Silveira fala para quem busca a internacionalização na carreira.

A professora do KTH Royal Institute of Technology em Estocolmo se mudou para a Suécia após concluir a graduação em Arquitetura e Urbanismo na UFMG. Na universidade sueca, Semida é diretora de cooperação com o Brasil. A experiência com dúvidas de estudantes e pesquisadores brasileiros motivou a produção do livro.

A experiência internacional

A autora mostra no livro que a busca pela internacionalização na carreira pode ser vista dentro de um contexto cultural, social e institucional maior. Para ela, é uma experiência de desenvolvimento pessoal, profissional  e de cidadania. A internacionalização pode contribuir para a construção de instituições mais fortes e uma sociedade mais igualitária.

Confira entrevista com a professora Semida Silveira no Ondas da Ciência!

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Todos juntos na reunião da SBPC 2017

qua, 12/07/2017 - 09:12

A equipe Minas Faz Ciência está acelerada preparando a cobertura da  69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontece entre os dias 16 e 22 de julho, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os canais oficiais da SBPC e da UFMG transmitirão todos os detalhes da feira, palestras e minicursos.

No site Minas Faz Ciência, você poderá conferir temas escolhidos carinhosamente pelos nossos jornalistas. Estamos selecionando assuntos interessantes da ciência para postagens diárias aqui e na versão infantil.

Vamos falar de divulgação científica, desafios da pós-graduação, avanços da ciência em diversas áreas do conhecimento, entre outras pautas. Para a criançada, vai ter papo sobre vulcões, energia nuclear, astronomia e muito mais!

reunião SBPC terá como tema “Inovação – Diversidade – Transformações”. A programação conta com diversas atividades com a participação de pesquisadores renomados do Brasil e do exterior, autoridades governamentais e gestores do sistema estadual e nacional de C&T.

AINDA DÁ TEMPO: confira a programação da reunião e deixe nos comentários sugestões de temas que vocês gostariam de encontrar aqui no Minas Faz Ciência durante e depois do evento.

A Lorena Tárcia conta um pouco dos bastidores da nossa reunião de trabalho, que aconteceu ontem:

Enquanto isso….

Reunião da SBPC está em pauta, mas as revistas Minas Faz Ciência estão no forno. Na próxima semana, tem a edição 70 chegando para nosso público. A revista anual infantil está em fase de apuração e o spoiler que podemos dar é que será uma edição “saborosa”.

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Diversão e conhecimento em passeio pelo Museu

ter, 11/07/2017 - 08:05

O Museu de Ciências Naturais da PUC Minas existe desde 1983. Para muita gente, porém, ele ainda é uma novidade. O médico Carlos Henrique levou o sobrinho para um passeio e se espantou com o local. O Museu possui área verde, atividades variadas e um acervo paleontológico de cerca de 70 mil exemplares, além de 22 mil exemplares de espécies atuais.

O Ciência no Ar visitou o espaço. Neste programa, veja informações para quem quer conhecer o Museu pela primeira vez ou voltar para um novo passeio.

Serviço:

Museu de Ciências Naturais da PUC Minas

Endereço: Avenida Dom José Gaspar, 290 – Câmpus PUC Minas – Coração Eucarístico – Belo Horizonte/MG
Horário de funcionamento: Terça a sexta-feira, sábados e feriados: de 9 às 17 horas. Quinta-feira: aberto até as 21 horas. Outras informações no site do Museu

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Pesquisador mineiro é premiado pela Biotech-Space

seg, 10/07/2017 - 14:35

A pesquisa made in MG está ganhando o mundo e fazendo a diferença na produção científica mundial. Pesquisador da Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ), Fernando de Pilla Varotti ganhou o prêmio Biotech-Space Pesquisador do Ano 2016.

A indicação dos pesquisadores é realizada pela Rede de Pesquisadores em Biotecnologia Biotech-Space, composta por mais de 2.000 pesquisadores e estudantes da área.

O Prêmio foi instituído para promover o reconhecimento de pesquisadores e alunos que, com suas pesquisas, tenham contribuído de forma relevante à sociedade.

O objetivo é levar ao conhecimento do público e de empresas o nome de pesquisadores comprometidos em gerar descobertas fundamentais para que o Brasil aumente seu potencial inovador em biotecnologia.

Artigo em destaque

Além do prêmio, Varotti também teve um estudo em destaque no periódico especializado Chemical Biology & Drug Design. Seu artigo foi selecionado para estar na Escolha do Editor, na edição do mês de julho.

Os autores do estudo, Gustavo Viana, Fernando Varotti e Fabio Vieira

Também assinam o trabalho outros professores do Núcleo de Pesquisa em Química Biológica (NQBio) do Campus Centro-Oeste da UFSJGustavo Viana e Fábio Santos (foto).

O estudo teve, ainda, participação de outra instituição mineira, a Fundação Ezequiel Dias (Funed), e foi financiada com recursos da Fapemig

Clique aqui para ter acesso ao artigo na íntegra (em inglês).

O estudo abordou o desenvolvimento de novas moléculas bioativas contra células tumorais responsáveis por uma das formas mais agressivas do câncer de mama. A pesquisa publicada também tratou de como essas novas moléculas podem agir contra as células-tronco que agravam a doença.

Conversamos com o professor Fernando sobre sua carreira e a pesquisa que atualmente desenvolve na UFSJ.

Confira a entrevista: MFC: Conte um pouco sobre sua carreira e trajetória como pesquisador. O que esses prêmios representam para você e como contribuem para o desenvolvimento das pesquisas?

Eu me formei em Ciências Biológicas pela USP, em São Paulo, em 1998. Fui motivado por um amigo de meu pai que havia se alfabetizado depois de adulto. Ele sempre me pedia para lhe explicar as matérias relacionadas a ciência dos jornais. Ao tentar transmitir aquelas informações para ele, eu mesmo ficava cada vez mais curioso. Não demorou muito para perceber qual curso eu gostaria de fazer.

Durante a graduação na USP, sempre me interessei por Parasitologia, em especial, por malária. Credito minha formação a duas mulheres muito respeitadas na ciência brasileira: professora Célia Regina da Silva Garcia, da USP,  e professora Antoniana Ursine Krettli, da Fiocruz de Minas Gerais.

Após a iniciação científica no laboratório da professora Célia Garcia, concluí meu mestrado no mesmo laboratório, trabalhando com a sinalização de cálcio em Plasmodium falciparum. Imagine a alegria de um jovem biólogo em poder fazer parte do trabalho de um grupo de pesquisadores nacionais, com artigos publicados na Nature Cell Biology, em 2000.

Ao final do mestrado, percebi que poderia utilizar os padrões de sinalização como uma ferramenta para a determinação do mecanismo de ação de antimaláricos. Para comprovar essa teoria, cheguei em Minas Gerais, no final de 2004, e comecei a trabalhar com a professora Antoniana Krettli, uma referência em malária e quimioterapia antimalárica, que acreditou na minha pergunta e me possibilitou cursar o doutorado sob sua supervisão.

Foi um período de grande aprendizagem e que auxiliou na minha consolidação como pesquisador. Concluí meu doutorado em 2008 e ingressei na UFSJ Campus-Centro Oeste, em 2009, onde montei o Laboratório de Bioquímica de Parasitos (LBP). Sempre trabalhei com a investigação do mecanismo de ação de novos candidatos a antimaláricos.

Nessa linha de pesquisa, fui premiado em 2010 com a Medalha Ruth Nussenzweig, como Jovem Pesquisador em Malária, na XII Reunião Anual de Pesquisa em Malária. Foi motivo de muita alegria e, ao mesmo tempo, de intensa responsabilidade para demonstrar que estava à altura da premiação.

Entre 2010 e 2011, o Laboratório de Bioquímica de Parasitos começou a trabalhar com uma segunda linha de pesquisa, as linhagens tumorais humanas de câncer, cedidas pela doutora Luciana Maria Silva, do Serviço de Biologia Celular da Fundação Ezequiel Dias. O que estava no roteiro era tentar descrever o mecanismo de ação de novos antimaláricos. Agora, havia uma responsabilidade ainda maior: descrever o mecanismo de novos potenciais antitumorais.

Assim, em 2012, o LBP passa a se chamar Laboratório de Bioquímica Medicinal (LBqM) e hoje trabalhamos com a descrição do mecanismo de ação de novos potenciais quimioterápicos para malária (a velha paixão) e o câncer.

Em 2017, recebi a notícia de ter sido escolhido como pesquisador do ano pela Biotech Space. Fui o primeiro pesquisador eleito fora do eixo Rio-São Paulo. Todos esses prêmios apenas demonstram para mim que estamos no caminho certo, e que tudo começou graças as explicações sobre ciências para um amigo.

MFC: O que é a Química Medicinal, sua área de atuação? As pesquisas têm interface direta com que outras ciências? Como os estudos podem vir a impactar a vida das pessoas?

Química Medicinal é uma área de pesquisa multidisciplinar que envolve conhecimentos de Química e de Biologia. Seu objetivo consiste no entendimento da doença, visando ao desenvolvimento de novos fármacos.

Por se tratar de um estudo multidisciplinar, a Química Medicinal pode envolver áreas como a Síntese Orgânica, Química Teórica, Farmacologia, Biologia Celular e Molecular, entre outras.

A integração dessas áreas visa contribuir diretamente com o desenvolvimento de novos medicamentos, mais seguros e eficazes, em substituição a tratamento antigos. Também oferece novas alternativas terapêuticas para doenças que até então apresentavam opções limitadas de tratamento.

MFC: Em que consiste a pesquisa que deu origem ao artigo em destaque e quais foram os resultados publicados? Por que acha que o paper chegou a ser escolhido como Editor’s Choice?

Detalhe da página do periódico em que o artigo foi destacado como escolha do editor

Projetos de pesquisa na área de Química Medicinal que visem consolidar em nosso país uma cadeia de produção competitiva, com investimentos na pesquisa, formulação e produção de compostos químicos para fins terapêuticos, são de extrema importância. Essas ações, além de fortalecer o conhecimento científico-tecnológico em áreas estratégicas, geram um impacto direto na redução da vulnerabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS).

Com o objetivo de consolidar e fortalecer um grupo multidisciplinar de desenvolvimento de fármacos na UFSJ, em 2014, foi criado o Núcleo de Pesquisa em Química Biológica da UFSJ (NQBio), liderado pelos professores Gustavo Henrique Ribeiro Viana (líder), Fabio Vieira dos Santos (vice-líder) e eu, Fernando de Pilla Varotti. Atualmente, o NQBio conta com a participação de outros professores da UFSJ e também pesquisadores de outras instituições, como UFMG, UFOP, CEFET-MG, UTFPR e UEL

Neste contexto, e contando ainda com a colaboração da pesquisadora Luciana Maria Silva, da Fundação Ezequiel Dias, nosso grupo começou a trabalhar com análogos sintéticos de alcaloides marinhos do tipo 3-alquilpiridínicos, sintetizados pelo professor Gustavo Viana, no Laboratório de Síntese Orgânica da UFSJ. Em 2011, publicamos o primeiro trabalho com estes compostos na Chemical Biology & Drug Design. A ação citotóxica foi comprovada no ano seguinte, em um trabalho publicado na Biomedicine & Preventive Nutrition.

Em 2014, em um artigo publicado na Marine Drugs, conseguimos descrever o modo de ação destes compostos em tumores humanos. Finalmente, em 2016, conseguimos demostrar a ação destes compostos em um modelo de câncer de mama mais próximo de uma situação real em pacientes.

Estes compostos mostram-se ativos contra células-tronco tumorais mamárias in vitro, demonstrando um futuro potencial terapêutico no tratamento no câncer de mama.

Imagem disponível no artigo

MFC: Como a pesquisa pode contribuir para a busca de melhores tratamentos ou cura de tumores cancerígenos?

Neste trabalho, utilizamos uma linhagem de câncer de mama triplo negativa, ou seja, um tipo de tumor agressivo que não expressa os biomarcadores mais comumente utilizados como alvo quimioterápico: os receptores de estrogênio, progesterona e a proteína HER-2.

Os compostos foram ativos contra esta linhagem, sendo efetivos até contra as células-tronco deste modelo. Com a melhor compreensão dos mecanismos de ação, atualmente em desenvolvimento pelo NQBio, estes estudos podem trazer novos detalhes e contribuir, no futuro, para um fármaco mais seguro e eficaz.

 MFC: Você atua principalmente com temas como quimioterapia e ação de compostos bioativos. Quais as tendências de pesquisas sobre esses temas? Para onde os estudos desse campo têm apontado?

Estes estudos, conduzidos pelo NQBio estão em concordância com os planos apresentados no documento intitulado Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) 2016-2019, do Ministério da Ciência e Tecnologia & Inovação (MCTI).

O documento estabelece quais as condições para o Brasil conseguir promover um salto no desenvolvimento científico e tecnológico, bem como elevar a competitividade de produtos e processos.

Além disso, a importância deste projeto encontra fundamento em um documento produzido pelo BNDES, em que os autores atestam que a indústria farmacêutica brasileira chegou ao que eles consideram um ponto de inflexão. Depois da bem-sucedida estratégia de crescimento baseada nos medicamentos genéricos e similares de síntese química, o acirramento da concorrência tem levado as empresas a buscarem alternativas para a manutenção de seus portfólios.

Nesse contexto, as políticas públicas de saúde vêm procurando induzir novas direções para a elevação da competitividade e o adensamento das cadeias produtivas no Brasil. Em particular, desde 2009, o BNDES vem apontando a Biotecnologia como a principal oportunidade no campo da indústria farmacêutica, com diversos trabalhos publicados no BNDES Setorial.

Diante deste cenário, e sabendo que a inovação é uma característica inerente às Universidades e Centros de Pesquisa no Brasil, a sustentação de uma cadeia produtiva no setor farmacêutico recai sobre a capacidade de inovação e desenvolvimento de novos produtos.

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Exposição discute o parto normal

sex, 07/07/2017 - 15:16

O Brasil é campeão mundial em cesarianas. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2015, 55,5% dos nascimentos no Brasil foram cesáreas, contra 44,5% de partos normais. A Organização Mundial de Saúde estima que a cirurgia seja necessária para até 15% dos nascimentos.

A exposição Sentidos do Nascer tem o objetivo de sensibilizar os visitantes e mudar a percepção sobre o nascimento. Através de uma proposta que conjuga arte, ciência e tecnologia, o projeto incentiva a valorização do parto normal e a redução da cesariana desnecessária. A exposição itinerante viaja pelo Brasil desde 2015.

A curadoria e coordenação geral é da pediatra Sônia Lansky e do professor da Faculdade de Educação da UFMG Bernardo Jefferson de Oliveira. Neste Ondas da Ciência, confira entrevista com o professor da UFMG!

Percurso do parto

Na exposição, o visitante passa primeiro por uma lojinha que brinca com a ideia de um mercado de parto. É um momento de crítica ao discurso sobre benefícios da cesariana e que negativiza o parto normal. Em seguida, um conjunto de vídeos apresenta diálogos que articulam as tensões que existem entre médicos, enfermeiras, homens e mulheres, com diferentes pontos de vista sobre o nascimento. O visitante vive ainda a experiência do útero e pode assistir vídeos de partos reais.

Necessária e responsável por salvar vidas, a cesariana não é considerada a vilã, mas a exposição se posiciona contra os excessos da cirurgia. São apresentados ao público os riscos associados a uma cesárea. Para a mãe, seriam infecções, hematomas, hérnias, hemorragias e acidentes anestésicos, entre outros. Para o bebê, cortes acidentais, problemas respiratórios e mais dificuldades na amamentação.

O percurso também discute percepções sobre o parto normal sustentadas pelo senso comum e trata de práticas inadequadas de violência obstétrica. A exposição integra o projeto Sentidos do Nascer, que estuda o impacto de algumas ações na mudança de percepção sobre o parto. O projeto de pesquisa é financiado por CNPq, Ministério da Saúde e Fundação Bill & Mellinda Gates.

 

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